Lauren e Julia

Um dia o relógio interno bateu com vontade e senti: quero ser mãe. Desde então minha vida tem sido um turbilhão de afazeres e emoções.

Era uma vez… Julia.

Nessa foto ela está com 10 meses, mas nasceu enrugadinha e com um temperamento bem forte. Seu choro era ouvido há quilômetros, fruto de muita cólica abdominal combinada com refluxo. Nada diferente do que passa a maioria dos recém-nascidos e consequentemente seus pais.

Como bem disse o Will, no seu depoimento, com relação ao seu sobrinho, a primeira vez que a vi foi puro encantamento. Mesmo “sujinha” e enrugadinha, ela estava linda. Ela estava ali! Claro que chorei muito (fazendo juz ao apelido recebido quando criança de “manteiga derretida” e “maria chorona”): de alívio por ela ter nascido com saúde e de emoção por ter chegado tão …tão… tudo.

Nesses nove meses de espera, fazendo parte e contribuindo para seu desenvolvimento, muito conversei e cantei para minha pequena. Sempre fui de cantar sem precisar de motivo, mas lembro da Tina, minha irmã, e a Jussara Miranda me aconselharem a ouvir muita música ou simplesmente cantar e conversar, não só para que a pequena se sentisse mais tranquila, mas também para reduzir qualquer sintoma de possível ansiedade minha. Essa “atividade” fortaleceria o vínculo afetivo dela comigo, criando um meio de comunicação entre nós. Pude perceber nitidamente que as melodias que cantava frequentemente na gestação foram reconhecidas no pós-parto, pois sentia ou que ela se acalmava, quando de um desconforto, ou agitava os bracinhos, talvez por puro prazer ou por associar ao aconchego de quando estava no útero.

Estudos já comprovaram que o estímulo dado externamente é absorvido desde antes do nascimento, promovendo bem-estar físico, emocional, cognitivo e social ao bebê. Percebi isso quando fazia as aulas de dança contemporânea da Jussara Miranda. Minha médica obstetra havia autorizado a atividade física, com algumas poucas restrições e cuidados, e explicou que o bebê tende a se movimentar ativamente, conforme a movimentação da mãe, e que isso só traz benefícios à criança. Dancei, então, até o oitavo mês e sentia, no fim da aula ou até mesmo no meio, que a Julia respondia aos estímulos: ou me chutava ou  mudava de posição.

Os bebês ainda no período gestacional são conscientes do que se passa à sua volta. Existem diferentes formas de estimular os seus sentidos que estão em desenvolvimento. O cérebro do bebê já começa a formar conexões; os bebês são capazes de aprender ainda no útero da mamãe. Quanto mais estímulos, mais sinapses e maior a capacidade de aprendizado. Para que as sinapses se formem, é preciso que o bebê seja exposto a estímulos externos” (Revista Pais e Filhos)

Depois do seu nascimento, outra atividade que agradava tanto a mim quanto à Julia eram as massagens. As primeiras foram na barriguinha, devido às desesperadoras cólicas, mas depois do terceiro mês passei a realizar uma massagem indiana chamada Shantalla, com a qual, através do contato da mão da mãe com a pele do bebê, transmite-se conforto, amor, carinho e segurança. A Juju se divertia muito.

Gostava também de brincar com as mãos. Às vezes colocava dedoches e contava estórias, outras só fazia brincadeiras com as mãos e dedos que estimulavam a pequena, pois seus olhinhos acompanhavam fixamente meus movimentos. Ainda hoje ela aprecia essa atividade, com a diferença de que agora ela também brinca só que com suas mãozinhas, contando estórias inventadas no momento.

Por vezes, devido ao meu amor pela arte/dança, olhando minha pequena tentando pegar os pés, sorrindo, balançando a cabecinha, explorando o próprio corpo e tentando se comunicar, vem um pensamento: será que esses pezinhos vão querer seguir os passos da mamãe e dançar?

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One Comment on “Lauren e Julia”

  1. Antonio Duarte disse:

    Muito legal o q oi escrito, Parabens!


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