Denis e seu primeiro contato com a dança

Quando a Ju e Diego falaram sobre cada um dos componentes do projeto registrar no blog seus relatos, depoimentos, tentei me lembrar de quando foi o meu primeiro contato com a dança. Como foi?

Não sei…

Porque, afinal de que dança eu estava tentando lembrar: profissionalmente, na escola, em casa, no palco, na praça, na festa, no ginásio do colégio ou na frete da TV?

Então lembrei de coisas tão legais, guardadas lá no fundinho. Como quando eu e meus primos organizamos uma apresentação na garagem do Valdeci. Um senhor que me chamava de espiga de milho por causa da cor amarelo reluzente dos meus cabelos na época e que era proprietário de um conjunto de quartos/sala na praia de Mariluz, responsável por manter todos juntos durante o verão. Lembro que minhas primas tinham trazido do Rio de Janeiro, onde moravam, os figurinos das apresentações que fizeram da escola de dança – sem falar na coreografia bem elaborada e perfeitamente “decorada”. O que eu ia fazer, então? Não podia deixar por menos. Minha mãe cortou um lençol, improvisamos umas fantasias de carnaval e lá fui eu apresentar pra todos os locatários do Valdeci e mais alguns vizinhos que trouxeram suas cadeiras de praia, uma coreografia improvisada da Xuxa, com capa feita de lençol cortado. Ninguém apresentou de capa, só eu.

Essa foi uma das vezes em que eu apresentei uma coreografia da Xuxa, muitas outras tiveram. Não tinha um aniversário que não tivesse o momento apresentação com coreografias precisas copiadas em frente da TV. Isso sem falar na época de colégio e as coreografias passadas por minhas colegas que faziam aula de Jazz no Clube. Elas se prestavam a me ensinar passo por passo durante o recreio, no final da aula e nos lugares mais diferentes possíveis: atrás da goleira do ginásio ou na sombra das arvores perto da grade do terreno baldio que ficava do lado da praça na frente do colégio.

Tantas coreografias. Nenhuma aula formal. Mas isso nunca foi um impedimento. Caminhar não foi um impedimento. Antes de caminhar – olha que eu comecei cedo, com 9 meses -, quem cuidava de mim era o tio Argemiro e a tia Eucilda. Eles são tios da minha mãe, na verdade. Tio Argemiro sentava numa cadeira, segurava duas colheres entre os dedos, viradas de costas uma pra outra, e batia no joelho pra acompanhar a melodia que fazia na gaita. Eu, sentado no chão aos seus pés, me sacudia e dançava desde pequenino, e assim passávamos os dois, o guardião e seu cuidado, o tutor e o aprendiz, o músico e o bailarino. Essa lembrança eu não tenho, mas talvez seja essa a minha primeira experiência em dança.

Eu costumo dizer que eu fui fazer teatro e virei ator por ser um bailarino frustrado…

Acho que eu estou tentando virar o jogo ou apenas brincando de juntar os pontos.

Denis Gosch

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